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O Brasil nunca foi um grande exemplo de economia. Não por falta de condições, mas por termos cometido equívocos econômicos graves ao longo da história. Insistimos em políticas que, em vez de resolver estruturalmente o problema, apenas agem como paliativos, deixando sequelas graves para o futuro. Há alguns anos acreditamos que congelar preços seria o antídoto contra a inflação; pensamos também que proteger o setor de informática, por meio de barreiras à importação, seria ótimo para indústria do país e, atualmente, temos uma fé cega nos gastos públicos, como se estes fossem a salvação de qualquer arrefecimento de demanda. É um engano.

Somos facilmente iludíveis

A primeira década deste século XXI foi especialmente boa para o Brasil. Fomos impulsionados por uma economia mundial ansiosa por minério e outras riquezas naturais que fartam em nosso território. A modernização e o ganho de produtividade que tivemos com nossas “privatizações” e outras pontuais políticas liberalizantes da década de 90 tiveram sua parcela de colaboração para surfarmos nessa onda de demanda aquecida. No entanto, a onda vem diminuindo sua amplitude – e nós também. Na verdade, estamos minguando mais rapidamente.

Fizemos escolhas no mínimo irresponsáveis. O Brasil não aproveitou esse período de bonança econômica mundial para fazer reformas estruturais urgentes, que freiam nosso crescimento, como solucionar o buraco sem fim da previdência e o emaranhado de leis trabalhistas, males que esperam resolução há décadas. Preferimos fazer o contrário: expandir os gastos públicos, aumentar a burocracia estatal e alargar enormemente o crédito, sem respaldo em poupança. O resultado foi um inconsistente aumento do padrão de vida.

Paramos antes mesmo de começar

A década de 80 e o começo dos anos 90 foram caóticos para nossa economia. Com uma política econômica confusa e protecionista, amargamos hiperinflação e estagnação. Em meados da década de 90, munidos do Plano Real – que embora longe de ser perfeito, foi bem sucedido em domar a hiperinflação galopante – começou-se a pavimentar o caminho para uma economia mais sadia e previsível.

Durante o governo FHC, apesar de o Estado haver crescido absurdamente, as frágeis condições da economia brasileira obrigaram o Governo Federal a tomar medidas que embora longe de serem peremptoriamente “solucionadoras”, foram capazes de reprimir um pouco do apetite estatal para gastar irresponsavelmente, como a busca por superávit primário e, principalmente, a edição da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Com os bons ventos da economia mundial de 2002 a 2008, era hora de darmos passos mais largos. Mais privatizações, uma abertura econômica plena, diminuição dos encargos trabalhistas, redução do setor público, diminuição de impostos… A lista de medidas possíveis é enorme, mas não fizemos nada disso. Fizemos o justo contrário – e estamos começando a colher os frutos amargos.

O caminho que estamos trilhando

Atualmente nossa política econômica está respaldada em um tripé de difícil sustentabilidade: gastos públicos elevados, forte estímulo ao consumo e protecionismo econômico. Nossa cultura de veneração do Estado como um ente onipotente, que pode e deve resolver todos os problemas da sociedade, está nos custando muito caro. Segundo o Portal da Transparência o gasto direto do Governo Federal em 2012 excedeu em mais de 45% o que era praticado em 2004 e mais de 30% em comparação com os gastos de 2008. Esse cenário de afrouxamento das contas públicas é preocupante, com a clássica justificativa de estar realizando políticas anticíclicas o Governo está expondo o Brasil ao pior – inflação e dívida pública.

Os pesadíssimos investimentos (ou melhor seria defini-los como gastos?) para a Copa do Mundo é outro fator que deve ser considerado. O entusiasmo com o anúncio de que seríamos sede do maior evento esportivo no mundo já arrefeceu. Agora enfrentamos o ônus de termos prometido o que não tínhamos e o que não possuíamos a menor idéia de como fazer. Nossa infraestrutura é precária até para a rotina corriqueira do país. Será que deveríamos ter-nos comprometido a realizar um evento dessa magnitude? Somos capazes de fazê-lo com excelência e a um custo viável para nós?  Creio que não. Para ilustrar, podemos mencionar que o Distrito Federal inaugurou recentemente um estádio que custou R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos (o orçamento inicial já era de R$ 680 milhões), se tornando o estádio mais caro do mundo! Como toda atividade estatal, a construção de arenas é mais lenta e cara do que quando a livre iniciativa privada, motivada por lucros e prejuízos, realiza a obra.

Todo esse gasto governamental tem de ser pago de alguma forma, já que o Estado por si só não produz riqueza alguma, e todas as “criativas” formas que a máquina pública tem para se bancar passam, invariavelmente, pela retirada de recursos da população que trabalha e produz. Seja a alternativa de aumento de impostos, de expansão da dívida pública ou de inflacionar a moeda, todas possuem como pagador o cidadão.

A política econômica do Governo visa apenas o curto prazo; afinal, medidas com resultados mais longos não possuem um grande apelo eleitoreiro. Estimular o consumo através do aumento do crédito de forma desenfreada, por exemplo, é uma medida de curto prazo irresponsável que desencadeia um sinal negativo já aparente: a inadimplência. A expansão do crédito no Brasil, segundo o Banco Central, é crescente: em 2010 foi de 21%, em 2011 cresceu mais 19%, em 2012 16% e em 2013 estima-se que será de 14%. Para base de análise, insta mencionar que entre 2009 e 2011 o rendimento médio do trabalhador cresceu 11%. Significa que, ganhando praticamente a mesma coisa, podemos comprar muito mais. Mas como? Jogando toda a dívida para o futuro. O resultado é que a inadimplência do consumidor cresceu 15% em 2012, segundo o Serasa Experian. Entre as empresas a inadimplência também aumentou – comparando-se a média de 2011 com a de 2012 (até novembro) – mais de 8%.

A questão é que uma grande quantidade de pessoas não cometem erros tão graves sem um forte estímulo para isso. Nesse caso o estímulo se deu em duas frentes: a redução artificial dos juros e o desincentivo à poupança, ambas orquestradas pelo Governo.

A redução da taxa de juros básica (5 pontos em cerca de 16 meses) sem lastro em poupança, ocasiona graves distorções no médio e longo prazo. Impulsionar o consumo por meio da redução artificial dos juros melhora a economia em um curto período – apenas enquanto esses novos juros constroem negócios, que se antes não pereciam ser bons, agora parecem ser ótimos. Em resumo, os juros reduzidos artificialmente enganam os produtores, fazendo com que estes aloquem erroneamente seus recursos. A situação só vem à baila quando a expansão da base monetária acarreta o aumento dos preços na economia e o Banco Central é então obrigado a aumentar os juros para conter este fenômeno. Neste momento comprova-se que o investimento antes lucrativo era uma falácia.

No que tange à poupança, a situação não foi menos manipulada. Inibiu-se a poupança por meio do pagamento de juros cada vez menores para quem poupa, forçando o cidadão a consumir em vez de guardar. As previsões do Banco Central indicam que a poupança neste corrente ano não superará nem mesmo a inflação, ou seja, quem colocar o dinheiro na poupança estará, na verdade, o perdendo. Estamos trilhando caminhos econômicos complicados…

E tudo isso não basta. No último dia 05 de fevereiro, o Ministro da Fazenda Guido Mantega disse para jornalistas que a solução para o endividamento da população seria mais créditoSe aumentar o volume (de crédito), melhora a economia e cai a inadimplência. Esta é que é a questão. Chega uma hora em que a inadimplência, para cair, precisa de mais crédito. O cidadão que pegou um empréstimo, depois ficou sem crédito para poder pagar a conta. Porque é assim: o tomador paga o crédito tomando novo empréstimo, isso se chama rolagem.” Lamentavelmente, os danos para nossa economia serão gigantescos caso perpetuemos este tipo de política econômica. Não há como curar o paciente com o mesmo veneno que o intoxicou. Quem pode achar ser saudável emprestar o dinheiro que não se tem? Se não é saudável para as finanças de ninguém, por que seria para o país?

Outro fator que emperra nosso crescimento é ainda sermos plenamente mercantilistas. Temos uma política de importações arcaica e injustificável. Somos a nação, proporcionalmente, que menos realiza importações no mundo! Em 2011, importamos 11% do nosso PIB. O resultado disso é um enorme ostracismo comercial. Nossos carros, celulares e outros aparelhos tecnológicos estão entre os mais caros do mundo. Tratar este bloqueio econômico como uma proteção à nossa indústria é uma falácia. O bloqueio faz com que, longe dos efeitos salutares da concorrência (como modernização e preços competitivos), nosso parque industrial fique atrasado, oneroso e improdutivo. Quem paga a conta de tudo isso é o consumidor, obtendo produtos de qualidade inferior por preços superiores aos praticados nos mercados estrangeiros.

As evidências do equívoco já se fazem sensíveis. A inflação de 2012 fechou o ano em 5,84%, ao passo que o nosso crescimento (PIB) foi de apenas 0,9%.

Precisamos liberar

Os fatos constatam como nosso modelo é ineficaz. Para debelarmos a inflação, retomarmos o crescimento e nos desenvolvermos economicamente, precisamos imediatamente parar de arbitrar os juros da economia, liberar nossa importação para os produtos estrangeiros e, principalmente, abandonar a falsa crença de que o Estado é um ente solidário e onipotente.  Não é factível a nenhuma instituição controlar, planejar e regular toda uma economia. Livres de tantas normas, regulamentações e impostos podemos ser muito mais produtivos. A liberdade econômica já trouxe ares de paz e prosperidade em muitos cantos do mundo. Chegou a vez do Brasil.

Fonte: Revista Vila Nova

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